• RESIDÊNCIAS
  • Márcia Lança


    foto: Márcia Lança

    De 3 a 30 de Março, Márcia Lança estará em residência no NEGÓCIO para criação do seu novo projecto: Evidências suficientes para a não coerência do mundo.
    Esta peça será apresentada ao público no NEGÓCIO, em Maio deste ano: estreia a 14 e apresentações 15, 16 e 17.
    Pode apoiar este projecto e e tornar-se um espectador especial através DESTE LINK

    “Culture is the essential tool for making other”

    “(…) the concept of culture operates much like its predecessor – race – even though in its twentieth-century form it has some important political advantages.”

    Leila Abu-Lughod in Stop Writing Against Culture

    Este projecto apresenta o desaparecimento brusco de todas as evidências. “Uma breve história do corpo e de seus monstros” em articulação com a história da pintura retratista, da história do traje, da história da pintura de cenários frente aos quais os corpos de deixavam capturar e a história dos estatutos sociais do corpo. Em “Vigiar e Punir” Michel Foucault conta-nos como o corpo foi desde sempre objecto de punição e correcção. As instituições do poder, em sentido lato, agem sobre um “corpo social” treinando-o, modificando-o e trançado hábitos e comportamentos. É a técnica perfeita da coerção/correcção sobre o indivíduo fazendo-o corresponder ao paradigma vigente. Cria “sujeitos de obediência” pois, aumentando a força sobre a liberdade do corpo diminui-se a autonomia do sujeito. Este projecto questiona o corpo enquanto sujeito múltiplo e com hiper-capacidades metamórficas segundo os contextos em que se encontra e se foi encontrando ao longo da história: o corpo da rainha, a criada no séc. XIII, o corpo do coveiro, o corpo negro visto pelos missionários – o corpo do outro – a roupa usada na invasão francesa aliada aos movimentos em massa das tropas, a roupa com que dormia D. Afonso Henriques, a camponesa alentejana, a roupa de malha de ferro dos cavaleiros, sua segunda pele nas disputas de honra. Qual o cenário para algumas destas figuras, que gestos, que poses, que posturas, o estar só e o estar face ao outro – maneiras e comportamentos do uso da roupa e do corpo social segundo o momento/paisagem histórico. Procuro o encontro entre a história da paisagem representada na pintura e posteriormente representada na fotografia retratista, a história dos hábitos de vestir  e estar enquanto portadores de significado social e, a história da evolução do mundo, da civilização. A ideia é desenvolver uma narrativa coreográfica, não cronológica no que diz respeito aos acontecimentos no mundo. Um discurso de carácter ficcional mas com contornos documentais.

    Criação e performance: Marcia Lança, Andrea Brandão, Joao Calixto, Ana Monteiro
    Colaboradores: Gonçalo Antunes
    Residências: Triangle Performing Arts – Marselha; Negócio/ZDB – Lisboa; Espaço do Tempo- Montemor-o-Novo
    Direcção de Produção: Sérgio Parreira

    Produção: Vagar