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Cinema
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4 e 7 Maio 2009
Ciclo Kenneth Anger
PROGRAMA DE CINEMA
Uma retrospectiva filmográfica exaustiva será exibida na Cinemateca Portuguesa e, numa sessão compacta na Fundação de Serralves. As sessões contarão com uma conferência de Marco Pasi e a presença de Kenneth Anger.
Cinemateca Portuguesa Sessão de cinema
Dia 4 de Maio, pelas 21h30, Sala Dr. Félix Ribeiro:
Fireworks (1947, 20 min., 35 mm, preto & branco, som)
Inauguration of the Pleasure Dome (1954, 38 min., 35 mm, cor ,som)
Invocation of My Demon Brother (1969, 12 min., 35 mm, cor, som)
Lucifer Rising (1981, 29 min., 35 mm, cor, som)
Ich Will! (2008, 35 min., DVD, cor, som)
Seguida de Conferência de Marco Pasi com a presença de Kenneth Anger.
Anger without Tears: The occult films of Kenneth Anger
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Marco Pasi fará uma abordagem ao contexto oculto no qual os filmes de Kenneth Anger poderão ser colocados e entendidos. Introduzirá, designadamente, aspectos da vida e princípios definidos pelo ocultista britânico Aleister Crowley (1875-1947), que cumpriu um papel de referência constante para Anger. A própria produção artística de Crowley e, o interesse que Anger demonstrou por esta no seu próprio trabalho, serão proposições igualmente discutidas. A comunicação de Pasi incidirá também no renovado interesse pelo ocultismo em geral, e por Crowley, em particular, que a contemporaneidade artística tem evidenciado. Tomará assim, como asserção, o entendimento da obra de Anger como um formidável termo de comparação, essencial a uma análise assertiva desta recente tendência.
Dia 7 de Maio, pelas 21h30, Sala Dr. Félix Ribeiro:
Sessão de cinema
Puce Moment (1949, 6 min., 35 mm, cor, som)
Rabbit’s Moon (1950, 16 min., 35 mm, preto & branco – colorido, som)
Eaux d’Artifice (1953, 12 min., 35 mm, preto & branco, cor)
Scorpio Rising (1964, 28 min., 35 mm, cor, som)
Kustom Kar Kommandos (1965, 3 min., 35 mm, cor, som)
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Fundação de Serralves
Dia 5 de Maio, na Biblioteca de Serralves, pelas 18h00:
Conferência de Marco Pasi: Anger without Tears: The occult films of Kenneth Anger
com a presença de Kenneth Anger.
Dia 5 de Maio, no Auditório de Serralves, pelas 21h30:
Sessão de cinema
Fireworks (1947, 20 min., 35 mm, preto & branco, som)
Inauguration of the Pleasure Dome (1954, 38 min., 35 mm, cor ,som)
Invocation of My Demon Brother (1969, 12 min., 35 mm, cor, som)
Lucifer Rising (1981, 29 min., 35 mm, cor, som)
Ich Will! (2008, 35 min., DVD, cor, som)
Sinopses dos filmes apresentados
Sessão 1
FIREWORKS (1947, 6 min, 35 mm, cor, som)
/ com Kenneth Anger, Gordon Gray, Bill Seltzer
Protagonizado pelo próprio Kenneth Anger, este é um dos seus filmes mais célebres. Caracterizado pelo já hábil recurso à sobreposição de elementos, Fireworks reveste-se da “temática do proibido” – ligada à homossexualidade. Define um campo de acção povoado pelo uso transviado de símbolos do quotidiano, sustentando assim, uma atmosfera de violência pervertida, objectivamente definida, como raramente na obra do autor.
INAUGURATION OF THE PLEASURE DOME (1954, 38 min, 35 mm, cor ,som)
/ com Sampson De Brier, Marjorie Cameron, Joan Whitney, Katy Kadelo, Anaïs Nin, Paul Mathison, Curtis Harrington, Kenneth Anger.
A preparação do mago para a cerimónia – um certo tipo de eucaristia – e a lógica de um ritual diário, de restabelecimento e sustentação da própria existência mágica serve, aqui, de antecâmara segura para a sucessão de acontecimentos erráticos que acontecerá de seguida. É nessa recuperação da força despendida, que o mago, visto por Anger, tal como Aleister Crowley, se transforma num esforço de conjugação entre o desejo, retracção e soberba que traduz o grande fosso entre o divino e o humano. Marcado pela visita a um desconcertante universo mitológico, no qual o deus Pã ocupa o lugar de prémio, é vigoroso o percurso contínuo, embora compassado, que se estabelece entre o sonho e o pesadelo enquanto o mago se alimenta, rejubilante de poder.
INVOCATION OF MY DEMON BROTHER (1969, 12 min, 35 mm, cor, som)
/ com Kenneth Anger, Bobby Beausoleil, Mick Jagger, Lenore Kandel, Anton LaVey, Anita Pallenberg, Keith Richards,
Com cerca de doze minutos, Invocation of My Demon Brother é uma sessão de encantamento preparatória. Acompanhado pela repetitiva faixa sonora de Mick Jagger e um sintetizador Moog, inclui participações do próprio Kenneth Anger, Speed Hacker, Anton La Vey e Bobby Beausoleil. Construído com parcelas do que terá sido uma primeira versão de Lucifer Rising, efectiva-se, citando Kenneth Anger, como um eficaz feitiço..
LUCIFER RISING (1981, 29 min, 35 mm, cor, som)
/ com Kenneth Anger, Bobby Beausoleil, Donald Cammel, Marianne Faithfull, Myriam Gibril, Chris Jagger, Jimmy Page.
A interpretação de Lúcifer não apenas como Diabo, mas como deus portador da luz, justifica a intencionalidade com que Lucifer Rising é principiado, colocando na imagem uma cratera, solitária, numa costa negra em contacto com o mar, enquanto a manhã desponta e a noite termina. Esta espera pelo momento certo agrupa, como em Inauguration of the Pleasure Dome, um conjunto de forças essenciais ao galope do restante filme, que reunirá excertos de documentários da vida animal, personificação corpórea de divindades do Antigo Egipto e cenas enigmáticas de rituais contemporâneos.
Lançado o diálogo entre Isís – a Grande mágica, símbolo de fecundidade – e Osíris – representação do ciclo vida-morte-ressurreição para os egípcios, apresenta-se o fruto desse contacto, mediante a espectacular perturbação das condições atmosféricas e pressupõe-se, assim, o nascimento de Horus e o regresso de Lúcifer à terra, interpretado como o acordar do jovem mago que executa, a partir desse momento, influência sobre as restantes personagens.
ICH WILL! (2008, 35 min, DVD, cor, som)
Baseado na Juventude Hitleriana e em material apropriado de filmagens dos próprios nazis, num período compreendido entre 1933 e 1938, durante o qual filmaram quase tudo, “mesmo o que não compreendiam”, como refere Kenneth Anger, Ich Will! toma forma numa sequência de imagens poderosas, aprimoradas por uma brilhante edição musicada. Pela primeira vez em Portugal, servirá de corolário do que Anger terá figurado em momentos anteriores, renovando um sentido acutilante evocar o ainda proibido.
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Sessão 2
PUCE MOMENT (1949, 6 min., 35 mm, cor, som)
Com acompanhamento musical de Jonathan Halper (1970) e interpretação de Yvonne Marquis, Puce Moment explora uma noção personalizada da aura envolta no estilo de vida das actrizes da década de 1920, através de uma sequência de imagens de ostentação e volúpia que começa por preencher, quadro adentro, o ecrã de cinema, vestindo-o e provocando-o num fenómeno de êxtase. Deverá este momento produzir a hipnotização do sujeito, incidindo neste o brilho, a cor, o perfume e o manto mágico.
RABBIT’S MOON (1950, 16 min., 35 mm, preto & branco – colorido, som)
/ com André Soubeyran, Claude Revenant, Nadine Valence.
A potência mágica incorporada pela Lua, interpretada como “matriz astral de todas as produções terrestres”, como refere Pierre Hecker, atravessa todo o filme. Filmado em Paris, Rabbit’s Moon faz uso de um leque de referências inspiradas na Commedia dell’Arte, sendo estas posteriormente reorganizadas, sobretudo através da individualização e especificidade de cada uma das três personagens presentes: Pierrot, Arlequim e Colombine. É na busca por um contacto mais íntimo com a Lua que Pierrot falha, ao rejeitar todas as mediações mágicas que lhe permitiriam alcançá-lo, acabando por se tornar vulnerável a um conhecedor da magia, Arlequim que, por se relacionar com forças negativas, não poderia alcançar o círculo interno da floresta, área de protecção, beneficiando, assim, da vulnerabilidade de Pierrot e do uso bífido da Vontade e da magia.
A presença do coelho branco, que dá nome ao filme, é identificada por Pierre Hecker, como parte integrante do “bestiário lunar”. Este é, assim, o coelho mítico como intérprete transcendental.
EAUX D’ARTIFICE (1953, 12 min., 35 mm, preto & branco, cor)
/ com Carmilla Salvatorelli.
Filmado em Itália, na Villa d’Este, em Tivoli, todo o filme acontece à noite nos jardins desertos. Construído como uma extenuante sequência de imagens de água, em torno da qual se movimenta, fugidia, uma figura de género indefinido, o filme faz-se acompanhar musicalmente por Vivaldi. Esta personagem parece activar a função mágica da água ao descrever circunvalações em seu redor, funcionando como mediação entre um conhecimento tangível e uma realidade mística intocável. É também a Lua, uma vez mais, que parece banhar todo o espaço cénico, associando-se à água como elemento preponderante.
SCORPIO RISING (1964, 28 min., 35 mm, cor, som)
/ com Ernie Allo, Bruce Byron, Frank Carifi, Steve Crandell, Johnny Dodds, Bill Dorfman, Nelson Leigh, John Palone, Barry Rubin, Johnny Sapienza.
A construção de máquinas de poder, está no centro de uma revolução anunciada desde o primeiro momento de Scorpio Rising: uma corrida pelo futuro. Filmado em 1962, nos Estados Unidos, marca a interpretação do motard como símbolo de rebeldia mas, sobretudo, identifica o motard Scorpio, com o signo do zodíaco que influenciava, nesta altura, Neptuno, o planeta do misticismo e do idealismo – segundo o próprio cineasta. O ‘escorpião‘ é o símbolo da ascensão de um homem – o Homem – ao poder, marcando o início da era de Aquário, a actual, um tempo de blasfémia, caos e paganismo.
Com uma primeira parte dedicada à amostragem e adoração deste deus e, dos seus pares, mediante a contemplação dos seus veículos e da luz que estes emanam; Scorpio Rising atribui, posteriormente, poderes de destruição à sua personagem e aos seus Anjos do Inferno. Neste filme e, talvez como em nenhum outro de Anger, a controvérsia é lançada na comparação de Scorpio a Jesus, mediante a apresentação de trechos de alguns filmes bíblicos de série B.
KUSTOM KAR KOMMANDOS (1965, 3 min., 35 mm, cor, som)
Kustom Kar Kommandos é um mergulho repetitivo e obsessivo, no desejo de concretização do ritual de passagem e regeneração. Na continuidade do que em Scorpio Rising Kenneth Anger explorou, salientam-se as acções, o envolvimento e a dedicação dadas à preparação da anunciada viagem.
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