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CONCERTOS
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24 de Julho 2010
Flower Corsano Duo | Z’EV & David Maranha
FLOWER CORSANO DUO
No canto esquerdo, desde Leeds, Inglaterra, temos o guitarrista Michael Flower, membro do colectivo improvisacional Vibracathedral Orchestra. Imaginem Jimi Hendrix deambulando inquietamente num cenário pós-apocalípitco, ou o fogo de Sonny Sharrock ardendo desarticuladamente num infinito de som que tudo liberta – Flower sangra dos mesmos excessos, celebra a mesma revolução. No canto direito, natural de Nova Inglaterra, Estados Unidos, encontramos Chris Corsano, percussionista livre com punhos de ruído branco, imparável criador de situações (entre os seus cúmplices conta-se mais ou menos toda a gente que importa: Ben Chasny, Paul Flaherty, Thurston Moore, Joe McPhee, Carlos Giffoni, Björk, etc.) que a ZDB já recebeu anteriormente em três ocasiões distintas.Nomes fundamentais das novas músicas subterrâneas, Flower e Corsano têm vindo a desenvolver em duo um combate que coincide-descoincide as linguagens subversivas do rock e do jazz num turbilhão arrepiante de matéria viva. O “shaahi baaja” de Flower (uma espécie de banjo oriental electrificado que soa como nada do que estão a pensar) e a bateria de Corsano são soco e reflexão, transe esburacado a expandir a consciência com muito, muito estrondo. MP
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.Z’EV & DAVID MARANHA
Z’EV, também conhecido por Stefan Joel Weisser, é uma daquelas figuras que atravessam, solitárias, décadas de música. Isto é: não se fixam em grupos, géneros ou lugares, mas flutuam entre colaborações, projectos e encontros. Tudo começou no início dos anos 60 do século passado, período em que estudou bateria com o músico de jazz Chuck Flores e se dedicou também as artes plásticas. Desde então, aliás, tal interesse simultâneo pelas duas áreas representa um dos traços do seu percursoMas foi na performance musical que a sua assinatura ganhou relevo. Nos anos 70, aterrou em São Francisco e inspirado estilhaços do punk e do pós-punk (terá sido neste momento que conheceu Boyd Rice, os Factrix, Monte Cazazza e provavelmente os Savage Republic) começou a inventar instrumentos, usando materiais como aço, plástico, titânio e objectos. Assim, montava “esculturas” dominadas pelo ritmo que faziam música industrial antes dos Einsterzende Neubauten.
Do outro do Atlântico, o inevitável apelo. Z’EV acompanha uma digressão britânica dos Bauhaus, conhece os Throbbing Gristle e entra na Europa pela porta da pop. Mas o seu lugar permanece até hoje indiferente aos ventos e às marés. Reconhecido por trazer os sons de outras paragens para o campo da música popular urbana (muito antes dos Bow Wow Wow e dos Beirut), continuar a desenvolve trabalhos teóricos sobre a percepção do som e da percussão. Não desiste de aprofundar o estudo de outras músicas do mundo (Africa, Tibete, China). Teima, generoso, em colaborar com outros artistas e músicos (Glenn Branca, David Jackman) e por vezes, quase sempre à frente da percussão, partilha com eles o palco. Já tocou com os Sunn 0))), Oren Ambarchi e os Osso Exótico. Acrescentem mais um nome: David Maranha. É o músico que se lhe junta esta noite. Faz todo o sentido. JM
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