• CONCERTOS
  • 21 de Abril 2010

    Times New Viking | Lee Ranaldo & Rafael Toral

    Times New Viking
    Sem pestanejar, num tom displicente, há quem despache os Times New Viking com uma frase: fazem lo-fi. Injustiça. Este trio (dois rapazes e uma rapariga) de Columbus, Ohio, faz muito mais do que isso. Faz grandes canções. É certo,encharcadas em distorção, electricidade e à beira do desfalecimento, mas ainda assim, grandes canções.

    A categoria, contudo, está correcta. Lo-fi, como a pandilha da Flying Nun (Tall Dwarfs, The Terminals, The Clean ou The Verlaines), Lo-fi como os anos 90 (Luxurious Bags, Strapping Fieldhands, The Grifters), ou a canção indie-rock pós-Cobain (Sebadoh, Pavement ou Guided by Voices).

    A música dos Times New Viking é portanto rouca, desastrada. Cada melodia é arrepiada pelo feedback e os músicos chegam sacrificar a voz, o ritmo, a ordem ao ruído e ao volume. Como se estivem a tocar dentro de um amplificador. E não o fazem devido a uma falta de meios, mas porque gostam do som.

    É por isso que as canções dos Times New Viking soam tão bem. Afinal, é bom ouvir uma rapariga e dois rapazes a cantarem o entusiasmo, a alegria, a ironia e a melancolia num concerto eterno, indiferente ao ser histórico do rock E assim parece – assim é – quando canções como Teen Drama, 2/11 Don´t Forget, Move to California, Teenage Lust!, No Time No Hope ouDrop-Out saem das colunas. JM



    Lee Ranaldo & Rafael Toral
    Encontro histórico de duas figuras fulcrais da experimentação artística contemporânea, unidos pelo amor ao som e à música. Lee Ranaldo, guitarrista e vocalista fundador, a par de Kim Gordon e Thurston Moore, dos Sonic Youth, desenvolveu ao longo das últimas três décadas um trabalho musical, essencialmente focado na guitarra eléctrica, independente e único. Enquanto arranjador ou improvisador livre, Ranaldo colaborou com uma multitude de luminários – de Glenn Branca (pouco antes de formar os SY) a Rhys Chatham, Loren Mazzacane Connors, Chris Corsano, Michael Morley (The Dead C/Gate) ou Jim O’Rourke. Ranaldo desenvolveu ainda um percurso bastante interessante na escrita – poesia, escrita diaristica e de viagens – e nas artes visuais.

    A guitarra foi também um dos primeiros instrumentos de eleição de Rafael Toral. Enquanto parte de um instrumento electrónico complexo, usou-a para registar, entre outros, os já clássicos “Wave Field” (1994) ou “Violence of Discovery and Calm of Acceptance” (2000). Com a guitarra posta de parte, Toral desenvolve, desde 2004, o vasto “Space Program”, um estudo aprofundado sobre a performance em instrumentos electrónicos segundo os princípios orientadores do jazz. O seu trabalho levou-o a colaborar com criadores como Jim O’Rourke, Evan Parker, Joe Morris, C.Spencer Yeh ou Sonic Youth. A ligação aos últimos remonta aos anos noventa, materializando-se na participação no disco “NYC Ghosts & Flowers” (2000) e  em diversas apresentações ao vivo com Lee Ranaldo. Na ZDB, numa performance única, Rafael Toral estrear-se-á no gongo, aplicando conceitos e métricas do seu Space Program.
    Nota final para a projecção de imagens em tempo real da responsabilidade de Pedro Maio (P.MA). SH

    Lee Ranaldo: guitarra eléctrica
    Rafael Toral: gongo
    Pedro Maia: projecção de vídeo

    .