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CONCERTOS
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16 de Junho 2011
Julian Lynch | Ducktails | Big Troubles
E à medida que os anos vão passando, a memória do punk rock vai-se descolando da música produzida pelas editoras independentes dos EUA. A belicosidade e a arrogância de outros tempos já se não ouvem, a não ser como ironia, e som tornou-se forma gentil, presença tímida, mesmo quando ruidosa.
A Woodsist e a Olde English Spelling Bee são (com a Not Not Fun) as editoras que melhor representam esta progressiva quietação do indie-rock. As suas bandas e projectos individuais abraçam (quase) tudo o que soe a música britânica (de Robert Wyatt aos The Cure), não escondem o entusiasmo pela pop mainstream e materializam nas suas obras o afecto por géneros como o dub, a ambient-music e a kosmiche musik.
O melhor termo para designar o que fazem, à falta de outro, seria pós-indie rock. Música que experimenta, “brinca” com certa categoria musical sem recear estender os seus contornos, nem que para isso tenha de os fazer desaparecer. O gesto não será tão radical como o do pós-punk, mas alimenta-se de um inconformismo semelhante.
Julian Lynch integra esta geração de autores. Aquilo que ele faz transcende fusões (folk-pop) ou “empobrecimentos” (lo-fi). É uma escrita solitária, límpida e curta, atenta a tradições e heranças, mas pronta silenciar qualquer ruído de fundo, para construir canções que não têm pressa, que falam em surdina (ouçam o fascinante Mare, de 2008). Apenas ladeado dos instrumentos (podem ser um saxofone, teclado, guitarra), Lynch atravessa várias paisagens (New Jersey, Düsseldorf, Canterbury, Nova Iorque, Londres ou Índia), sabendo que no fim vai encontrar um ouvinte.
Ducktails é Matthew Mondanile (também mentor dos Real Estate) e navega entre a pop e o noise. O último álbum, III: Arcade Dynamics, foi o melhor que fez. Cada canção tem aquela natureza tremida, instável ou ambígua que permite, depois de nova audição, descobrir um riff, uma batida, um acorde. Acabam como começam, sem estrondo, num jogo entre o ouvido e a memória, onde participam os Pavement, David Lynch, Cyndi Lauper, Young Marble Giants, The Felt, Ariel Pink ou Brian Eno.
Os Big Troubles, como Matthew Mondanile e Julian Lynch, também vêm de New Jersey, mas entregam-se, sem discrição, aos vapores do shoegaze ao mesmo tempo que homenageiam os Guided by Voices. E convidam-nos a fazer o mesmo. JM
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Julian Lynch
Julian Lynch – guitarra, voz
Evan Brody – guitarra
Ian Drennan – baixo
Samuel Franklin – bateria+ info: Bandcamp | Underwater People records | Entrevista | Vídeo |Vídeo | Vídeo
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Ducktails
Matt Mondanile – guitarra, voz
Luka Usmiani – baixo
Alex Craig – guitarra
Samuel Franklin – bateria+ info: Myspace | Entrevista | Woodsist records |Vídeo |Vídeo | Vídeo
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Big Troubles
Alex Craig – guitarra, voz
Ian Drennan – guitarra, voz
Luka Usmiani – baixo
Samuel Franklin – bateria+ info: Bandcamp | Olde English Spelling Bees records | Vídeo | Vídeo | Vídeo
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